NOVAS REGRAS PARA ESCREVER
Novas regras para escrever
Veja o que muda com a reforma ortográfica.
Por: Beatriz Fonseca
ALFABETO
Nova regra:
O alfabeto é agora formado por 26 letras
Regra antiga:
O “k”, “w” e “y” não eram consideradas letras do nosso alfabeto.
Como será:
Essas letras serão usadas em siglas, símbolos, nomes próprios, palavras estrangeiras e seus derivados. Exemplos: km, watt, Byron, byroniano
TREMA
Nova regra:
Não existe mais o trema em língua portuguesa. Apenas em casos de nomes próprios e seus derivados, por exemplo: Müller, mülleriano
Regra antiga:
agüentar, conseqüência, cinqüenta, qüinqüênio, freqüência, freqüente, eloqüência, eloqüente, argüição, delinqüir, pingüim, tranqüilo, lingüiça
Como será:
aguentar, consequência, cinquenta, quinquênio, frequência, frequente, eloquência, eloquente, arguição, delinquir, pinguim, tranquilo, linguiça.
ACENTUAÇÃO
Nova regra:
Ditongos abertos (ei, oi) não são mais acentuados em palavras paroxítonas
Regra antiga:
assembléia, platéia, idéia, colméia, boléia, panacéia, Coréia, hebréia, bóia, paranóia, jibóia, apóio, heróico, paranóico.
Como será:
assembleia, plateia, ideia, colmeia, boleia, panaceia, Coreia, hebreia, boia, paranoia, jiboia, apoio, heroico, paranoico
Obs: nos ditongos abertos de palavras oxítonas e monossílabas o acento continua: herói, constrói, dói, anéis, papéis.
Obs2: o acento no ditongo aberto “eu” continua: chapéu, véu, céu, ilhéu.
Nova regra:
Os hiatos “oo” e “ee” não são mais acentuados
Regra antiga:
enjôo, vôo, corôo, perdôo, côo, môo, abençôo, povôo
crêem, dêem, lêem, vêem, descrêem, relêem, revêem
Como será:
enjoo, voo, coroo, perdoo, coo, moo, abençoo, povoo
creem, deem, leem, veem, descreem, releem, reveem
Nova regra:
Não existe mais o acento diferencial em palavras homógrafas
Regra antiga:
pára (verbo), péla (substantivo e verbo), pêlo (substantivo), pêra (substantivo), péra (substantivo), pólo (substantivo)
Como será:
para (verbo), pela (substantivo e verbo), pelo (substantivo), pera (substantivo), pera (substantivo), polo (substantivo)
Obs: o acento diferencial ainda permanece no verbo “poder” (3ª pessoa do Pretérito Perfeito do Indicativo - “pôde”) e no verbo “pôr” para diferenciar da preposição “por”
Nova regra:
Não se acentua mais a letra “u” nas formas verbais rizotônicas, quando precedido de “g” ou “q” e antes de “e” ou “i” (gue, que, gui, qui)
Regra antiga:
argúi, apazigúe, averigúe, enxagúe, enxagúemos, obliqúe
Como será:
argui, apazigue,averigue, enxague, ensaguemos, oblique
Nova regra:
Não se acentuam mais “i” e “u” tônicos em paroxítonas quando precedidos de ditongo
Regra antiga:
baiúca, boiúna, cheiínho, saiínha, feiúra, feiúme
Como será:
baiuca, boiuna, cheiinho, saiinha, feiura, feiume
HÍFEN
Nova regra:
O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por “r” ou “s”, sendo que essas devem ser dobradas
Regra antiga:
ante-sala, ante-sacristia, auto-retrato, anti-social, anti-rugas, arqui-romântico, arqui-rivalidade, auto-regulamentação, auto-sugestão, contra-senso, contra-regra, contra-senha, extra-regimento, extra-sístole, extra-seco, infra-som, ultra-sonografia, semi-real, semi-sintético, supra-renal, supra-sensível
Como será:
antessala, antessacristia, autorretrato, antissocial, antirrugas, arquirromântico, arquirrivalidade, autorregulamentação, contrassenha, extrarregimento, extrassístole, extrasseco, infrassom, inrarrenal, ultrarromântico, ultrassonografia, suprarrenal, suprassensível
Obs: em prefixos terminados por “r”, permanece o hífen se a palavra seguinte for iniciada pela mesma letra: hiper-realista, hiper-requintado, hiper-requisitado, inter-racial, inter-regional, inter-relação, super-racional, super-realista, super-resistente etc.
Nova regra:
O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados
Regra antiga:
em vogal + palavras iniciadas por outra vogal
auto-afirmação, auto-ajuda, auto-aprendizagem, auto-escola, auto-estrada, auto-instrução, contra-exemplo, contra-indicação, contra-ordem, extra-escolar, extra-oficial, infra-estrutura, intra-ocular, intra-uterino, neo-expressionista, neo-imperialista, semi-aberto, semi-árido, semi-automático, semi-embriagado, semi-obscuridade, supra-ocular, ultra-elevado
Como será:
autoafirmação, autoajuda, autoaprendizabem, autoescola, autoestrada, autoinstrução, contraexemplo, contraindicação, contraordem, extraescolar, extraoficial, infraestrutura, intraocular, intrauterino, neoexpressionista, neoimperialista, semiaberto, semiautomático, semiárido, semiembriagado, semiobscuridade, supraocular, ultraelevado.
Obs: esta nova regra vai uniformizar algumas exceções já existentes antes: antiaéreo, antiamericano, socioeconômico etc.
Obs2: esta regra não se encaixa quando a palavra seguinte iniciar por “h”: anti-herói, anti-higiênico, extra-humano, semi-herbáceo etc.
Nova regra:
Agora utiliza-se hífen quando a palavra é formada por um prefixo (ou falso prefixo) terminado em vogal + palavra iniciada pela mesma vogal.
Regra antiga:
antiibérico, antiinflamatório, antiinflacionário, antiimperialista, arquiinimigo, arquiirmandade, microondas, microônibus, microorgânico
Como será:
anti-ibérico, anti-inflamatório, anti-inflacionário, anti-imperialista, arqui-inimigo, arqui-irmandade, micro-ondas, micro-ônibus, micro-orgânico
Obs: esta regra foi alterada por conta da regra anterior: prefixo termina com vogal + palavra inicia com vogal diferente = não tem hífen; prefixo termina com vogal + palavra inicia com mesma vogal = com hífen
Obs2: uma exceção é o prefixo “co”. Mesmo se a outra palavra inicia-se com a vogal “o”, NÃO utiliza-se hífen.
Nova regra:
Não usamos mais hífen em compostos que, pelo uso, perdeu-se a noção de composição
Regra antiga:
manda-chuva, pára-quedas, pára-quedista, pára-lama, pára-brisa, pára-choque, pára-vento
Como será:
mandachuva, paraquedas, paraquedista, paralama, parabrisa, pára-choque, paravento
Obs: o uso do hífen permanece em palavras compostas que não contêm elemento de ligação e constitui unidade sintagmática e semântica, mantendo o acento próprio, bem como naquelas que designam espécies botânicas e zoológicas: ano-luz, azul-escuro, médico-cirurgião, conta-gotas, guarda-chuva, segunda-feira, tenente-coronel, beija-flor, couve-flor, erva-doce, mal-me-quer, bem-te-vi etc.
O uso do hífen permanece
Em palavras formadas por prefixos “ex”, “vice”, “soto”: ex-marido, vice-presidente, soto-mestre.
Em palavras formadas por prefixos “circum” e “pan” + palavras iniciadas em vogal, M ou N: pan-americano, circum-navegação.
Em palavras formadas com prefixos “pré”, “pró” e “pós” + palavras que tem significado próprio: pré-natal, pró-desarmamento, pós-graduação.
Em palavras formadas pelas palavras “além”, “aquém”, “recém”, “sem”: além-mar, além-fronteiras, aquém-oceano, recém-nascidos, recém-casados, sem-número, sem-teto.
Não existe mais hífen
Em locuções de qualquer tipo (substantivas, adjetivas, pronominais, verbais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais): cão de guarda, fim de semana, café com leite, pão de mel, sala de jantar, cartão de visita, cor de vinho, à vontade, abaixo de, acerca de etc.
Exceções: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao-deus-dará, à queima-roupa.
Fonte: http://msn.bolsademulher.com/mulherinvest/materia/novas_regras_para_escrever/45457/4
A IMPORTÂNCIA DA ÉTICA
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Antigamente, moral e ética eram transmitidas às novas gerações pelas classes dominantes, pela aristocracia, pelos intelectuais, escritores e artistas. Era uma época em que os nobres eram nobres, exemplos a ser seguidos por todos. Hoje isso mudou. Nossas lideranças políticas, acadêmicas e empresariais não mais se preocupam em transmitir valores morais
às futuras gerações. Não existe mais o noblesse oblige, a obrigação dos nobres, como antigamente. Poetas até enaltecem os nossos “heróis sem caráter”.
Hoje, quem quiser adquirir valores morais e éticos neste mundo “moderno” terá de aprender as regras sozinho. Portanto, para não perder mais tempo, vamos começar com a primeira lição.
Vou mostrar a importância de criar um código de ética com um exemplo real. Vou romancear os personagens para os proteger, mas a história é verdadeira.
Um amigo de infância, o Zeca, casou-se com a garota mais linda de nossa turma. Ela tinha uma irmã mais nova e mais bonita de 16 anos. Nosso comentário era que ele estava casando com a irmã errada, mas estávamos todos morrendo de inveja.
Após dois anos de casado, o Zeca acabou transando com a linda cunhada e foi prontamente descoberto pela esposa. Só falamos disso por seis meses. Ele se desculpou dizendo: “Não sei o que passou pela minha cabeça, ela simplesmente se entregou”. Fato mais comum do que se imagina, fruto da rivalidade entre belas irmãs.
Muitos anos depois, cada vez que encontrávamos o Zeca tentávamos disfarçar nosso sorriso malicioso. Mesmo vinte anos se passando, toda vez que eu o encontro, a primeira imagem que me vem à mente é: “Lá vem o Zeca, aquele que transou com a cunhada”.
Isso é totalmente injusto de minha parte, afinal seu crime não durou mais que meia hora, e ele nunca voltou a repeti-lo. Já sofreu e pagou seu pecado, e mesmo assim, vinte anos depois, nós ainda o estávamos condenando. Pelas leis brasileiras, ele já teria cumprido pena e seria perdoado.
Por isso as gerações mais velhas criam uma moral e uma ética, uma religião, uma filosofia de vida transmitida às novas gerações para que elas não façam besteiras que possam marcá-las para o resto da vida. Transgredir a moral e a ética de sua comunidade traz penas bem mais severas que transgredir as leis de seu país.
Ter uma religião e não seguir os preceitos que ela advoga, algo que ocorre com freqüência, é o pior dos dois mundos: aí você não procura uma ética melhor que o satisfaça nem segue a ética determinada por sua religião.
Na semana passada ligou um amigo de meu filho e anotei o recado:
– O Alfredo, filho do Zeca, te ligou – avisei no almoço.
– O Zeca, aquele que papou a cunhada? – disse meu filho com um sorriso malicioso.
Acho que ninguém de nossa turma tem hoje inveja do Zeca. Ele não somente pagou o preço, mas esse preço vai ser pago agora por seus filhos, netos e talvez bisnetos. Posso até imaginar daqui a trinta anos um comentário desses:
– Não é o neto do Zeca, aquele que foi pego na cama com a cunhada?
Os filhos, netos e bisnetos de nossos políticos, homens públicos, líderes e artistas que romperam com a ética terão de conviver com o eterno tititi sobre seus pais e nunca saberão dos comentários ditos pelas costas.
Se você tem uma religião e não a pratica, se você odeia as pregações de moralidade que seus pais lhe impõem, isso não o exime de procurar um sistema de referência melhor para sua vida, seja uma outra religião, seja uma conduta filosófica, seja um simples livro de auto-ajuda.
As conseqüências podem ser muito mais severas que as leis impostas pelo Estado, como descobriu meu querido amigo Zeca, aquele que transou com a cunhada.
Stephen Kanitz é administrador
Fonte:www.kanitz.com.br/veja/importancia_etica.asp
Artigo Publicado na Revista Veja, edição 1733, ano 35, nº1, 9 de Janeiro de 2002.
EMPRESAS ONDE TODOS SE DIVERTEM
Por 25 anos analisei as 1.000 maiores empresas do Brasil, e muitos professores de administração me perguntam como eu classificaria as companhias brasileiras com base nessa experiência. Daria um
livro, mas, resumindo em uma única página, diria que existem cinco tipos de empresa no país.
A empresa Tipo A é aquela na qual somente o dono se diverte. Tudo gira em torno dele, tudo é feito do jeito dele. Ele é o verdadeiro deus de sua companhia e assim consegue implantar rapidamente sua visão do negócio. É o “empresário bem-sucedido” que aparece em capa de revistas, invariavelmente sozinho. É o dono da verdade, de tudo e de todos. Não preciso dizer que os demais integrantes dessas empresas não se divertem nem um pouco, não é esse seu objetivo.
A empresa Tipo B é aquela em que somente os filhos do dono se divertem. O pai, com 95 anos, ainda a controla com mão-de-ferro, mas isso já não é tão fácil como antigamente. Ele está ficando gagá, só que não percebe e já não se diverte como antes. Ele nunca quis fazer a transição de uma empresa familiar para uma profissional, muito menos entregar a companhia aos filhos. Para manter-se no poder, comprou-lhes iates e BMWs e deu-lhes cargos no conselho para fazer absolutamente nada. Não conseguindo salário compatível em nenhum outro lugar, os filhos resignados se deleitam fazendo cruzeiros mundo afora. No fundo, são os únicos que se divertem.
A empresa Tipo C é aquela onde ninguém mais se diverte. O pai de 95 anos finalmente morreu sem deixar uma equipe de administradores profissionais que pudesse salvar a companhia. Os filhos chamados às pressas do Caribe começam a brigar entre si, porque também só entendem de iates e BMWs. A empresa vai de mal a pior, e os filhos se safam vendendo-a a uma multinacional.
E aí essa elite empresarial não entende por que todos os empregados, trabalhadores e sindicalistas de empresas A, B e C são de esquerda e por que temos tantos intelectuais e professores de administração querendo acabar com tudo isso que está aí.
A empresa Tipo D é aquela na qual todo mundo se diverte. Ela não tem um único dono, é uma associação coletiva de pequenos acionistas, a maioria formada de trabalhadores da própria empresa, fundos de pensão de trabalhadores, da classe média, de médicos e engenheiros, poupando para a aposentadoria, para não depender do salário dos filhos. São as empresas de capital democrático, em que não há ações sem direito a voto, onde todos votam, como essas companhias listadas no novo mercado transacionadas todo dia na Bovespa. Elas são a concretização do sonho de Karl Marx, nas quais trabalhadores e consumidores são acionistas diretos das empresas em que trabalham ou compram, detendo assim os meios de produção.
Normalmente, o presidente dessas empresas é um administrador profissional, funcionário demissível a qualquer momento, como todos os outros. Nada de cargo vitalício como nas dos tipos A, B e C nem indicações por apadrinhamento político como nas empresas Tipo G, G de governo. O presidente dessas companhias é escolhido pela competência administrativa, e não pelo parentesco familiar ou loteamento político. Como esse administrador depende da cooperação de todos para manter-se no poder, a opinião geral é ouvida, todo mundo faz parte da solução, ele acredita no trabalho de equipe. As idéias de todos são desejadas e levadas a sério. Nessas empresas, o presidente não destrata nem desrespeita os subordinados, jamais berra em público, não é o dono da verdade, caso contrário não sobreviveria. São empresas preocupadas com o social, e não somente com o bolso do acionista controlador, que nessas empresas nem existe. O D é de Divertido, Diversificado e Democrático. Essas são as melhores companhias para trabalhar no Brasil, infelizmente muito raras devido à proliferação de empresas dos tipos A, B, C e G.
Mas empresas Tipo D estão sendo criadas todo dia. Um outro mundo é possível, mais democrático, mais bem administrado, mais includente, mais socialmente responsável e muito mais divertido.
Stephen Kanitz é administrador por Harvard
Fonte: www.kanitz.com.br/veja/divertido.asp
Editora Abril, Revista Veja, edição 1930, ano 38, nº 45, 9 de novembro de 2005, página 18
A AUTO-ESTIMA DO SEU FILHO
Uma semana depois de minha esposa e eu
decidirmos começar uma família, entramos numa
livraria e compramos dois livros sobre como educar filhos. Por uma série de razões os dois filhos só nasceram seis anos depois e acabamos lendo não
dois, mas 36 livros. Se dependesse de teoria, estávamos preparados. Hoje eles estão crescidos e
um amigo me perguntou que livros nós havíamos utilizado mais. Foi uma boa pergunta que demorei a responder. Usamos um livro só, um que educava mais os pais do que os filhos. Intitula-se ‘A Auto-estima do seu filho’ de Dorothy Briggs, e o título já diz tudo.
A tese do livro é como agir para nunca reduzir a auto-estima do seu filho: elogiá-lo freqüentemente , ouvir sempre suas pequenas conquistas, festejar as suas pequenas vitórias, nunca mentir ou exagerar neste intento, em suma mostrar a seus filhos seu verdadeiro valor. Ao contrário do que defendem os demais livros, não é uma boa educação, nem disciplina, nem muito amor e carinho, ou uma família bem estruturada que determinam o sucesso de nossos filhos, embora tudo isto ajude.
A sacada mais importante do livro, no nosso entender, foi a constatação que filhos já nascem com uma elevada auto-estima, e que são os pais que irão sistematicamente arruiná-la com frases como: ‘Seu imbecil!’, ‘Será que você nunca aprende?’, ‘Você ficou surda?’. Jean Jacques Rousseau errou quando disse que “o homem nasce bom, mas é a sociedade que o corrompe”. São os próprios pais que se encarregam de fazer o estrago.
Por exemplo: você, pai ou mãe, chega do trabalho e encontra seu filho pendurado na cadeira: ‘Desça já seu idiota, vai torcer o seu pescoço’. Para Dorothy, a resposta politicamente correta seria ‘Desça já, mamãe tem medo que você possa se machucar’. Primeiro porque seu filho não é um idiota, ele assume riscos calculados. Segundo são os pais, com suas neuroses de segurança, que têm medo de cadeiras.
Quando nossos dois filhos começaram a aprender a pular, entre três e quatro anos de idade, desafiava-os para um campeonato de salto a distância. Depois de algumas rodadas, seguindo a filosofia do livro, deixava-os ganhar. Ficavam muito felizes, mas qual não foi a minha surpresa quando na sétima ou oitava rodada, eles começavam a me dar uma colher de chá, deixando que eu ganhasse. Que lição de cidadania: criança com boa auto-estima não é egoísta e se torna solidária.
Eu não tenho a menor dúvida de que os problemas que temos no Brasil em termos de ganância empresarial, ânsia em ficar rico a qualquer custo que leva à corrupção, advêm de um pai ou uma mãe que nunca se preocuparam com a auto-estima de seus filhos.
Eu acho que políticos, professores e intelectuais, na maioria desesperados em se autopromover, jamais darão dar oportunidades para outros vencerem, como até crianças de três anos são capazes de fazer. A fogueira das vaidades só atinge os inseguros com baixa auto-estima.
Alguns pais fazem questão até de vencer seus filhos nos esportes para acostumá-los às agruras da vida, como se a vida já não destruísse a nossa auto-estima o suficiente.
A teoria é simples, mas a prática é complicada. Uma frase desastrada pode arruinar o efeito de 50 elogios bem dados. ‘Meu marido queria que o segundo fosse um menino, mas veio uma menina’. Imaginem o efeito desta frase na auto-estima da filha. Portanto, quanto mais cedo consolidar a auto-estima melhor.
Esta tese, porém, tem seus inconvenientes. Agora que meus filhos são muito mais espertos, inteligentes e observadores do que eu, tenho que ouvir frases como: ‘É isto aí Pai’, ‘Faremos do seu jeito, pai’, tentativas bem-intencionadas de restaurar a minha abalada auto-estima.
Stephen Kanitz é pai e também administrador de empresas
Fonte: www.kanitz.com.br/veja/filhos.asp
Publicado na Revista Veja edição 1 650 de 3 de maio de 2000
Informações sobre o livro mencionado no artigo:
A auto-estima do seu filho
BRIGGS, Dorothy Corkille
MARTINS FONTES
VOCÊ ESTÁ DEMITIDO
Você é diretor de uma indústria de geladeiras. O mercado vai de vento em popa e a diretoria decidiu duplicar o tamanho da fábrica. No meio da construção, os economistas americanos prevêem uma recessão, com grande alarde na imprensa. A diretoria da empresa, já com um fluxo de caixa apertado, decide, pelo sim, pelo não, economizar 20 milhões de dólares. Sua missão é determinar onde e como realizar esse corte nas despesas.
Esse é o resumo de um dos muitos estudos de caso que tive para resolver no mestrado de administração, que me marcou e merece ser relatado. O professor chamou um colega ao lado para começar a discussão. O primeiro tem sempre a obrigação de trazer à tona as questões mais relevantes, apontar as variáveis críticas, separar o joio do trigo e apresentar um início de solução.
“Antes de mais nada, eu mandaria embora 620 funcionários não essenciais, economizando 12 200 000 dólares. Postergaria, por seis meses os gastos com propaganda, porque nossa marca é muito forte. Cancelaria nossos programas de treinamento por um ano, já que estaremos em compasso de espera. Finalmente, cortaria 95% de nossos projetos sociais, afinal nossa sobrevivência vem em primeiro lugar”. É exatamente isso que as empresas brasileiras estão fazendo neste momento, muitas até premiadas por sua “responsabilidade social”.
Terminada a exposição, o professor se dirigiu ao meu colega e disse:
-Levante-se e saia da sala.
-Desculpe, professor, eu não entendi - disse John, meio aflito.
-Eu disse para sair desta sala e nunca mais voltar. Eu disse: PARA FORA! Nunca mais ponha os pés aqui em Harvard.
Ficamos todos boquiabertos e com os cabelos em pé.
Nem um suspiro. Meu colega começou a soluçar e, cabisbaixo, se preparou para deixar a sala. O silêncio era sepulcral.
Quando estava prestes a sair, o professor fez seu último comentário:
-Agora vocês sabem o que é ser despedido. Ser despedido sem mostrar nenhuma deficiência ou incompetência, mas simplesmente porque um bando de prima-donas em Washington meteu medo em todo mundo. Nunca mais na vida despeçam funcionários como primeira opção. Despedir gente é sempre a última alternativa.
Aquela aula foi uma lição e tanto. É fácil despedir 620 funcionários como se fossem simples linhas de uma planilha eletrônica, sem ter de olhar cara a cara para as pessoas demitidas. É fácil sair nos jornais prevendo o fim da economia ou aumentar as taxas de juros para 25% quando não é você quem tem de despedir milhares de funcionários nem pagar pelas conseqüências. Economistas, pelo jeito, nunca chegam a estudar casos como esse nos cursos de política monetária.
Se você decidiu reduzir seus gastos familiares “só para se garantir”, também estará despedindo pessoas e gerando uma recessão. Se todas as empresas e famílias cortarem seus gastos a cada previsão de crise, criaremos crises de fato, com mais desemprego e mais recessão. A solução para crises é reservas e poupança, poupança previamente acumulada.
O correto é poupar e fazer reservas públicas e privadas, nos anos de vacas gordas para não ter de despedir pessoas nem reduzir gastos nos anos de vacas magras, conselho milenar. Poupar e fazer caixa no meio da crise é dar um tiro no pé. Demitir funcionários contratados a dedo, talentos do presente e do futuro, é suicídio.
Se todos constituíssem reservas, inclusive o governo, ninguém precisaria ficar apavorado, e manteríamos o padrão de vida, sem cortar despesas. Se a crise for maior que as reservas, aí não terá jeito, a não ser apertar o cinto, sem esquecer aquela memorável lição: na hora de reduzir custos, os seres humanos vêm em último lugar.
Stephen Kanitz
Fonte: www.kanitz.com.br/veja/outplacement.asp
Artigo Publicado na Revista Veja, edição 1726, ano 34, nº45, 14 de Novembro de 2001.
O PODER DA VALIDAÇÃO
Todo mundo é inseguro, sem exceção. Os super-confiantes simplesmente disfarçam melhor. Não escapam pais, professores, chefes nem colegas de trabalho.
Afinal, ninguém é de ferro. Paulo Autran treme nas bases nos primeiros minutos de cada apresentação, mesmo que a peça que já tenha sido encenada 500 vezes. Só depois da primeira risada, da primeira reação do público, é que o ator se relaxa e parte tranqüilo para o resto do espetáculo. Eu, para ser absolutamente sincero, fico inseguro a cada novo artigo que escrevo, e corro desesperado para ver os primeiros e-mails que chegam.
Insegurança é o problema humano número 1. O mundo seria muito menos neurótico, louco e agitado se fôssemos todos um pouco menos inseguros. Trabalharíamos menos, curtiríamos mais a vida, levaríamos a vida mais na esportiva. Mas como reduzir esta insegurança?
Alguns acreditam que estudando mais, ganhando mais, trabalhando mais resolveriam o problema. Ledo engano, por uma simples razão: segurança não depende da gente, depende dos outros. Está totalmente fora do nosso controle. Por isso segurança nunca é conquistada definitivamente, ela é sempre temporária, efêmera.
Segurança depende de um processo que chamo de “validação”, embora para os estatísticos o significado seja outro. Validação estatística significa certificar-se de que um dado ou informação é verdadeiro, mas eu uso esse termo para seres humanos. Validar alguém seria confirmar que essa pessoa existe, que ela é real, verdadeira, que ela tem valor.
Todos nós precisamos ser validados pelos outros, constantemente. Alguém tem de dizer que você é bonito ou bonita, por mais bonito ou bonita que você seja. O autoconhecimento, tão decantado por filósofos, não resolve o problema. Ninguém pode autovalidar-se, por definição.
Você sempre será um ninguém, a não ser que outros o validem como alguém. Validar o outro significa confirmá-lo, como dizer: “Você tem significado para mim”. Validar é o que um namorado ou namorada faz quando lhe diz: “Gosto de você pelo que você é”. Quem cunhou a frase “Por trás de um grande homem existe uma grande mulher” (e vice-versa) provavelmente estava pensando nesse poder de validação que só uma companheira amorosa e presente no dia-a-dia poderá dar.
Um simples olhar, um sorriso, um singelo elogio são suficientes para você validar todo mundo. Estamos tão preocupados com a nossa própria insegurança, que não temos tempo para sair validando os outros. Estamos tão preocupados em mostrar que somos o “máximo”, que esquecemos de dizer aos nossos amigos, filhos e cônjuges que o “máximo” são eles. Puxamos o saco de quem não gostamos, esquecemos de validar aqueles que admiramos.
Por falta de validação, criamos um mundo consumista, onde se valoriza o ter e não o ser. Por falta de validação, criamos um mundo onde todos querem mostrar-se, ou dominar os outros em busca de poder.
Validação permite que pessoas sejam aceitas pelo que realmente são, e não pelo que gostaríamos que fossem. Mas, justamente graças à validação, elas começarão a acreditar em si mesmas e crescerão para ser o que queremos.
Se quisermos tornar o mundo menos inseguro e melhor, precisaremos treinar e exercitar uma nova competência: validar alguém todo dia. Um elogio certo, um sorriso, os parabéns na hora certa, uma salva de palmas, um beijo, um dedão para cima, um “valeu, cara, valeu”.
Você já validou alguém hoje? Então comece já, por mais inseguro que você esteja.
Stephen Kanitz
Fonte: www.kanitz.com.br/veja/o_poder_da_validacao.asp
Artigo publicado na Revista Veja, edição 1705, ano 34, nº 24, 20 de junho de 2001, pág.22
SÓ DEPENDE DE NÓS
Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades. Se as coisas não saíram como planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar.
O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser. E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma.
EQUILÍBRIO ENTRE O HOMEM E O TRABALHO
Por Patrícia Bispo
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Pela própria natureza, o ser humano é levado a procurar situações ou criar momentos que propiciem um sentimento de bem-estar. Isso pode ser evidenciado desde a infância, basta apenas observar o dia-a-dia. Quantas crianças trocariam um parque que oferecesse os mais variados brinquedos que estimulem o sentimento de liberdade em troca de uma sala de reuniões? Que adolescente deixaria de fazer um programa com seus colegas para ficar sentado diante de uma televisão quebrada? Será que um casal trocaria a chance de viajar para uma bela praia apenas para arrumar uma estante repleta de livros empoeirados? A princípio, todas as primeiras alternativas são consideradas as escolhas mais lógicas, claro.Diante de exemplos tão simples, as organizações tiveram que ser render a um fato: um profissional, que trabalha em um ambiente agradável e prazeroso, terá uma melhor performance de quem vive precisa conviver em uma empresa onde a qualidade de vida é um assunto proibido. Hoje, é possível encontrar empresas que utilizam a criatividade para transformar o local de trabalho em um espaço onde as pessoas sintam-se bem e, como isso, apresentem sinais de satisfação em relação ao clima organizacional.
Uma empresa que acredita que o bem-estar dos colaboradores é um diferencial estratégico para a Gestão de Pessoas é a Apdata, que em 2002 construiu sua nova sede com toda arquitetura e decoração com base na técnica milenar chinesa “Feng Shui” - uma antiga arte chinesa que busca a harmonia e o sucesso dentro de um determinado ambiente, através dos cinco elementos da Astrologia chinesa (madeira, água, fogo, terra e metal) e o equilíbrio do Yin e Yang que representam os opostos como o alto e o baixo, o quente e o frio. Essa harmonia é alcançada através da energia Ch’i que corresponde à força universal da vida. De acordo com Luiza Nizoli, diretora executiva da Apdata a filosofia “Feng Shui” foi escolhida para que a organização tivesse um ambiente de trabalho totalmente diferenciado, ou seja, onde pudesse ocorrer a perfeita integração entre o ser humano e o meio corporativo. “A razão que levou a Apdata a adotar essa prática inovadora era ter ganhos de produtividades e manter a sustentabilidade do crescimento da empresa de forma alegre, despojada e, acima de tudo, mantendo o firme propósito de se conquistar tudo isso com leveza, beleza e aconchego. O resultado foi surpreendente”, afirma com entusiasmo. A Apdata é uma empresa especializada em tecnologia para a área de RH e está localizada na zona lesta da cidade de São Paulo. Atualmente, a organização conta com cerca de 200 colaboradores. E quando o assunto é qualidade de vida dos profissionais, a organização foi mais além e investiu em alternativas diferenciadas. Lá, por exemplo, o colaborador conta com a Sala de Cromoterapia que usa as cores do espectro solar para equilibrar o ser humano e promover uma melhora na sua saúde integral. Os princípios da cromoterapia eram conhecidos no Antigo Egito, na Grécia, além da medicina tradicional chinesa e da medicina ayurvédica (indiana). Se a musculatura está enrijecida, a alternativa pode ser uma vista à Sala de Massagem, onde se tem acesso a sessões de shiatsu e massoterapia. Nesse caso, o funcionário pode livra-se até mesmo das tensões graças a algumas pressões que são aplicadas em determinadas áreas e pontos do corpo humano, efetuadas, fundamentalmente, pelos polegares, dedos e palma das mãos, equilibrando o fluxo de energia vital. Essas sessões são recomendadas para problemas de coluna, estresse, insônia, problemas de deficiência funcional de órgãos, depressão, baixa auto-estima, entre outros. “Outra forma que encontramos para livrar nossos colaboradores do estresse é através da aplicação do reiki, de origem japonesa. Trata-se de uma terapia corporal que tem como propósito equilibrar o ser humano de forma holística, ou seja, corpo, mente e espírito, através das energias universal e vital presente em todos os seres vivos”, afirma Luiza Nizoli, ao acrescentar que a empresa também construiu uma capela ecumênica, destinado à religiosidade, independente de credo. Alimentação – O cuidado com a qualidade de vida das pessoas também está presente até na alimentação. Para isso, a Apdata oferece um restaurante diferenciado e que oferece um cardápio balanceado e diversificado. Logo após a refeição, ainda é possível descansar na sala de áudio e vídeo que é equipada com home theater, DVD e TV Plasma 42 polegadas. Uma curiosidade é que a empresa instituiu um espaço curioso: o fumódromo – local destinado aos fumantes e que foi estruturada nos padrões do “Feng Shui” para energizar o ambiente e desestimular o vício. “Temos um jardim, além de um pentagrama voltado para o leste, que tira as energias negativas. Assim, atraímos pessoas que também não fumam e damos harmonia ao ambiente”, comenta a diretora executiva da empresa. Quanto questionada sobre a importância de se investir na qualidade de vida dos funcionários, Nizoli, diz que sem estar motivado e feliz com o ambiente empresarial, os profissionais não entregam o melhor de si. Em relação aos resultados obtidos através do investimento na QVT, a empresa observou um aumento de 50% da produtividade nos últimos três anos e uma queda acentuada do turnover. “A base para o crescimento está na valorização dos colaboradores. A satisfação e o reconhecimento passaram a fazer parte da rotina de nossos talentos. O colaborador passou a ter mais conscientização sobre a importância de trabalhar o seu interior, de estar bem consigo mesmo. Isto é um grande e relevante avanço”, conclui Luiza Nizoli. Patrícia Bispo
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ELEGÂNCIA NO COMPORTAMENTO
Por Flávio Martins da Costa
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Elegância no comportamento é diferente de elegância no vestir ou ter etiqueta; de usar trajes e acessórios bem combinados ou de luxo; ou seguir regras preestabelecidas de comportamento social. É algo que deve estar presente com a pessoa dia e noite com o “coração cabendo todos”: amigos, colegas de trabalho, subordinados, concorrentes, fornecedores, adversários políticos, “discordantes de opinião” etc.Deve estar presente em todos; nos proprietários de empresas, nos executivos, nos profissionais de sucesso, nos operários, nos funcionários das empresas, nos homens públicos, nos produtores e trabalhadores rurais, nos servidores públicos em todos os níveis, nos comerciantes, nos comerciários, nos professores, nos alunos, nos industriários, nos círculos de amizade, nos namorados, nos casais… Enfim, deve estar presente em todos e na relação entre “uns e outros e outros e uns”.
Manifesta-se no acordar com um sorriso no rosto agradecendo a Deus por tudo de bom que vem acontecendo, desejando um bom dia “de coração” para todos, a começar de quem está a seu lado, “esquecendo” eventual ponto de discordância ou mal-estar que possa ter aparecido. Está na forma de se movimentar, de falar, de ouvir, na atenção, no reconhecimento e retribuição de uma gentileza e no cumprimento aos outros, independentemente do nível hierárquico ou posição social. Revela-se na movimentação na rua, em quem cumprimenta aos demais indistintamente, que “fecha os cruzamentos” como se fosse a única pessoa com pressa, que não abusa da buzina e sendo paciente como aqueles que dificultam o seu percurso. Faz parte do chegar ao trabalho cumprimentando a todos e deixando para trás qualquer “stress” ou sentimento negativo em relação aos quais os outros não têm culpa. Incorpa-se na pessoa que trata a todos na empresa como seres humanos, como gente, mais do que “aqueles” que têm obrigações a cumprir. Manifesta-se na pessoa que evita assuntos constrangedores; que é avessa a fofocas, mas que sabe ser assertiva, dar “feedback”, elogiar ou repreender no momento apropriado, da forma adequada à pessoa certa. Está em quem respeita o trabalho realizado por um colaborador, não o desmerecendo como pessoa ou profissional quando a qualidade está abaixo do esperado, mas sabendo avaliar e junto com ele identificar pontos de melhoria. Faz-se presente no executivo que não se preocupa apenas em identificar e punir os responsáveis pelos “erros cometidos”, mas fundamentalmente achar em conjunto com seus colaboradores as formas de solucionar os problemas pelas suas causas e concentrar a energia na prevenção de reincidências. Aparece nos executivos que dividem com a equipe os méritos pelo sucesso do departamento ou empresa. Nos empresários que não querem tudo para si, que sabem que os lucros e resultados foram alcançados também pelo esforço de seus colaboradores, e que eles merecem alguma forma de retribuição. Acontece no compreender das situações adversas pelas quais pode estar passando seu próximo e entender reações externadas por ele, seja ele seu subordinado, amigo, parente, superior hierárquico ou um transeunte ou motorista do veículo próximo. Está no respeito às diferentes opções políticas, religiosas, esportivas ou sexuais, não fazendo delas motivos de chacota ou discriminação. Ocorre em quem não faz brincadeiras de mau gosto ou desrespeitosas aos amigos, colegas de trabalho ou subordinados. Faz-se presente no executivo que trata os membros de sua equipe, não como subordinados, mas como colaboradores, parceiros e amigos. Que para si, para seu próprio bem e de seus funcionários, busca o equilíbrio entre trabalho, lazer e vida pessoal, respeitando o tempo que ele e os demais devem ter para cada uma dessas atividades. Aparece em quem é discreto, que evita ouvir ou “entrar em conversa dos outros” e não fica olhando documentos ou coisas pessoais do próximo. Faz-se presente nos profissionais que não contam excessivamente vantagens de si, mas que se valorizam sem desmerecerem os demais. Aparece em quem não fuma perto dos outros, especialmente próximo aos não fumantes e que jamais fuma no local de trabalho. Integra as pessoas que sempre são pontuais e, quando poderão se atrasar um pouco avisam aos demais. Está em saber usar o celular, não falando alto em ambientes fechados, não deixando tocar em reuniões ou treinamentos e, quando precisar utilizar em uma conversa, pedindo licença ao interlocutor. Manifesta-se em quem trata com elegância e respeito os tripulantes e demais passageiros do ônibus, avião, trem ou navio, mesmo que algo não esteja saindo a contento (eles provavelmente não terão culpa do que não esteja saindo bem). Faz parte de quem responde às comunicações como cartas, telefonemas e e-mails, sejam de colaboradores internos, clientes ou pretendentes a fornecedores. Está no oferecer-se para ajudar a um colega que está com dificuldades no trabalho. Faz-se presente nas pessoas que demonstram interesse por assuntos que desconhecem, que presenteiam fora das datas festivas, que cumprem o que prometem, que não andam de “nariz empinado”, que sabem agradecer elogios e que sabem tratar o ser humano com humanidade e respeito. Elegância no comportamento é algo que está sempre com a pessoa, associada ao seu “natural” e a acompanha o dia todo e em todos os momentos. Está em quem começa e termina todos os dias (e não só no fim de ano), desejando para si e para os demais o melhor durante todos os momentos, especialmente saúde, paz e amor. Flávio Martins da Costa
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